Planeta & Novas Tecnologias
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Internet business models: creative destruction as usual

Uma análise aos modelos de negócio da Internet

  

O crescimento exponencial da Internet arrastou consigo um fascínio muito grande de muitas pessoas e empresas. Palavras como e-commerce, e-business e-services e-learning passaram a ser sinónimos, para muitos investidores, de grandes e rápidos lucros. Esta situação criou um efeito de bola de neve que arrastou muito dinheiro para o negócio da Internet. Foram efectuados investimentos cegos neste novo fenómeno, os quais não foram suportados por um estudo preliminar acerca da sua viabilidade. Parece que a nuvem com que normalmente representamos a Internet, nuvem essa que esconde uma variedade imensa de soluções técnicas tais como ligações analógicas, ligações RDIS, ADSL, fibra óptica, links satélite, e de empresas de serviços (ISP, telecoms, etc) tapou os olhos dos investidores, os quais entraram na euforia e investiram por moda. Antes de olharmos de um modo mais clínico e numa perspectiva histórica para as razões que levaram ao “rebentar” dos negócios ligadoa à Internet, o que foi ilustrado pelo trambolhão do índice NASDAQ da bolsa de Nova York, vamos primeiro identificar as razões do sucesso da Internet.

O motivo que está na génese do sucesso da Internet foi a criação de um protocolo aberto (não proprietário) que permitiu colocar os computadores a “falar” uns com os outros independentemente dos seus sistemas operativos e da sua tecnologia, ou seja criou um standard que constituiu um substrato sobre o qual assentou toda a comunicação. Esta situação pode até ser comparada com a introdução do direito romano, o qual aliado à força dos exércitos de Roma, impôs uma cultura e uma civilização durante séculos ligando vários povos e culturas. Actualmente podemos considerar a força do consumo uma força que se impõe tal como se impuseram as hostes romanas.

As mais importantes condições à entrada na Internet são inerentes ao TCP/IP:

  • Abertura: adesão a um protocolo não proprietário;

  • “Interoperabilidade”: que costitui o corolário de ser um protocolo aberto, Há “interoperabilidade” pela capacidade de utilizar uma interface comum;

  • “Escalabilidade”: a Internet é bastante “escalável” porque permite simultaneamente um crescimento contínuo de tráfego, utilizadores e velocidade de transmissão, entre outros;

  • Extensibilidade: deve-se ao facto de ser possível ligar cada vez mais recursos à Internet (electrodomésticos, elevadores, etc), estendendo a rede a imensas áreas de actividade.

  • “Desintermediação”: sendo o acesso à informação extremamente barato, é então possível agregar grandes quantidades de informação, correlacioná-da e utilizar essa mais valia para “desintermediar” outros negócios. Esta barreira deve ser sempre considerada também por quem já está na Internet de modo a não ser surpreendido por outro que lhe “desintermedie” o negócio.

  •  Segurança e privacidade: como a Internet está sempre “on” 7/7 e 24/24 são necessários cuidados muito especiais em relação à segurança (do ponto de vista dos “hackers” assim como da não falha do sistema) e à privacidade dos dados.

O surgimento da Internet deverá ser entendido como um novo conceito inserido num contexto envolvente antigo, ou seja, promove a inovação (“inovation engine”) mas obedecendo aos conceitos tradicionais de sociedade e mercado, onde se inserem os factores político/sociais, económicos, educacionais e culturais, de gestão e acesso ao capital, entre outros. No entanto, e como motor de inovação proeminente, rapidamente promove a emergência de uma nova realidade de tecnologias, modelos de negócio, e por conseguinte, novos produtos e serviços, com uma celeridade inigualável na sua criação, consolidação e efeitos. Uma outra característica chave, embora não seja nova pois à muito está identificada com o modelo capitalista, é a chamada criatividade destrutiva que traduz ou induz um caácter destrutivo em cada momento de criação e consolidação de um novo conceito. Em muitas ocasiões uma nova tecnologia, produto ou serviço ocupou o lugar de uma ou mais congéneres antigas, embora neste caso, e daí a sua relevância, num processo muito veloz e implacável (criatividade destrutiva ou destruição criativa!). A destruição aqui referida não tem necessariamente de passar por conceitos antigos, com uma vida longa de existência, pois poderá estar associada a conceitos recentes filhos do mesmo processo de inovação. Pode-se mesmo dizer que a destruição não excluí alternativas no seu processo de programação.

A utilização do conceito Internet (“Internet Concept”) tem marcado sobetudo o surgimento de novos negócios e modelos de negócio. De uma forma específica, têm-se encontrado características mais estáveis e de solidificação na chamada periferia do universo Internet, onde reside a chamada “intelligence” e onde habitam uma miríade de ISPs (Internet Service Providers) e empresas afins , que fornecem serviços estruturais e indespensáveis ao funcionamento do sistema. Na globalidade, novos modelos de negócios surgiram que, inserindo-se e utilizando a Internet, detêm actores que não residem no seu universo especial (B2B, B2C). Por baixo da chamada nuvem da Internet (que se apresenta normalmente nublada para os actores que residem fora dela) coexistem ainda as “backbones” (responsáveis pelo transporte físico da informação) e uma série de outros dispositivos estruturais sobretudo relacionados com o hardware. Esta situação não encontrou excepção em Portugal, onde os conceitos B2C e B2B já têm bastantes exemplos (embora o segundo esteja ainda muito por explorar) mas sobretudo os diversos ISPs têm afirmação e estabilização significativa no mercado.

Os novos e velhos negócios enfretam impreterivelmente o paradigma da criatividade destrutiva, como sempre, mas agora num processo de “desintermediação” costante e acelerada a partir de qualquer localização do globo terrestre. O sucesso dos novos negócios, impulsionados pela tecnologia ou conceitos de inovação, acaba fatalmente depender das forças selectivas habituais: desde a filtragem imposta pelos financiadores da capital de risco, pela banca de investimento e pelos media na passagem à prática dessas ideias, à arbitragem final dirigida pelos consumidores finais, tanto domésticos como empresariais. Citando o autor Lee W. Mcknight “Some things don’t change in an Internet economy”.

Para concluir é relevante assinalar que o sucesso global e o crescimento definitivo do conceito Internet continuará a depender fortemente dos factores educacionais, culturais e sócio-políticos da sociedade global, e na forma como estes influenciam os modos de estar, pensar e comportar das pessoas, uma vez que só o desenvolvimento franco do conhecimento e da aptidão da golbalidade dos indivíduos auto-alimentará o crescimento sustentado e “globalizador” do conceito Internet. Neste sentido, facilmente se conclui que o papel das entidades públicas, nomeadamente no âmbito de ensino e investigação, continuará a ser fundamental nessa crescente passagem de mensagem e formação, abrindo caminho ao sector privado. Mais uma vez “as usual”.

Por:
Carlos Chambel
Miguel Leocádio

 

 

 
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