Planeta & Novas Tecnologias
 Planet & New Technologies

   
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Beyond the double dividend:
Public and private roles in the supply and demand for environmentally enhancing technologies

 É possível fazer coexistir o crescimento económico e desenvolvimento com o aumento da protecção ambiental? Ou existem tensões que empurram o crescimento económico e a protecção ambiental em sentidos opostos (coexistindo um como travão ao outro)?

Michael Porter e Claas van der Linde’s estudaram a interacção do desenvolvimento económico e da protecção ambiental e encontraram na resultante uma sinergia que indica que ambos se influenciam mutuamente de uma maneira positiva. Esta mais valia pode ser apelidada de “duplo dividendo”, ou seja uma regulação ambiental mais apertada (de que todos beneficiamos) induz inovação e desenvolvimento.

As constrições ambientais actuam normalmente sobre os processos ou sobre os produtos. Estas constrições desencadeiam respostas inovadoras quer nos processos (maiores produções, economia de matérias primas e energia, reciclagem, redução de custos de “handling”, etc.) quer nos produtos (melhor qualidade e performance, menor custo, maior segurança, etc.).

Até há poucos anos não eram evidentes os argumentos acima descritos. Muitos autores defendiam que as preocupações ambientais constituíam uma carga pesada sobre a economia pois aumentavam os custos de capital e da produção, eram investimentos não produtivos, diminuíam a competitividade das firmas mais antigas, motivavam uma saída do capital para locais onde não havia regulação ambiental, etc. Estudos mais atentos demonstraram entretanto que não existem provas de que assim seja, havendo pelo contrário um “duplo dividendo”. As políticas ambientais têm actuado como deflagradores para aumentar a investigação e desenvolvimento, melhorar os processos de produção e os produtos. As mudanças têm ainda alterado a filosofia da produção de produtos para a prestação de serviços (por exemplo a Xerox passou a fazer aluguer de fotocopiadoras em vez de venda, retomando e reciclando no final os equipamentos, o que induz economias energéticas e de matéria prima).

O êxito do “duplo dividendo” está intimamente ligado ao binómio “supply push”,

”demand pull”. Considera-se que as políticas de regulação ambiental, o apoio às firmas na produção, a I&D, o encorajamento à aquisição de produtos amigos do ambiente, constituem um “supply push”, sendo, no entanto, fundamental a existência de procura de bens ou serviços (“demand pull”) de modo a haver retorno dos capitais investidos no processo de inovação. Sem a presença deste binómio está comprometida a inovação e melhoria da qualidade ambiental.

Em conclusão pode-se afirmar que a inovação e a mehoria da qualidade ambiental resulta de uma sinergia entre as autoridades governamentais e as empresas. Numa primeira fase cabe aos governos criar regulação ambiental e apoiar a inovação contribuindo para a I&D (“suplly push”), assim como absorver parte da produção para criar mercado e competitividade (“demand pull”). Numa segunda fase , normalmente, as autoridades governamentais podem diminuir o seu apoio pois o “demand pull” do mercado é suficiente para manter a competitividade e a produção. Nesta situação o processo pode ser realimentado por redefinição dos parâmetros ambientais.

 

08 Fevereiro de 2002

Carlos Chambel 

 

 
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