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Saúde/Medicina



Asma, o que é isso?





“A asma é definida como uma doença inflamatória crónica das vias aéreas e que é caracterizada por sensibilidade aumentada da árvore traqueobrônquica a uma multiplicidade de estímulos.”

Isto significa que na asma as vias que conduzem o ar desde a laringe[1] até aos alvéolos pulmonares estão inflamadas, não só numa altura de infecção ou de agressão do organismo mas sempre (de forma crónica). Além dessa inflamação ainda há uma sensibilidade a estímulos que implica que quando esses estímulos, por vezes completamente inofensivos, surgem ocorra uma reacção exagerada de contracção das vias aéreas – broncoespasmo – que dificulta a respiração e origina os sintomas característicos da asma:

o       Dispneia[2]

o       Pieira[3]

o       Aperto torácico

o       Tosse

 Como se manifesta a asma?

 Embora se trate de uma doença crónica a asma não se manifesta todos os dias. As manifestações da asma evoluem de forma insidiosa, por episódios de exacerbação provocados pelos estímulos desencadeantes:

o     alergénios

  • ácaros (as pessoas dizem que são alérgicas ao pó)

  • pólens

  • pêlos de animais

  • penas

  • fungos (a maioria das pessoas diz que é alérgica à humidade)

  • fumo de tabaco

  • baratas

o     fármacos

  • aspirina e outros anti-inflamatórios não-esteróides

  • b-bloqueantes (usados no tratamento da hipertensão arterial)

  • conservantes sulfurados (usados em alimentos embalados e enlatados)

o     poluição do ambiente e do ar

  • ozono

  • NO2

  • SO2

o     Factores profissionais

  • Sais metálicos (crómio: presente no cimento e níquel: bijuteria)

  • Poeiras de madeira ou vegetais

  • Agentes farmacêuticos

  • Indústria química e de plásticos

  • Detergentes de lavandaria

  • Poeiras, soros ou secreções de animais e insectos

o     Infecções

o     Exercício

o     Stress emocional

que são intercalados por períodos assintomáticos. A asma é tanto mais grave quanto mais frequentes forem as exacerbações.

 Como se trata a asma?

 A asma trata-se antes de mais pela educação do indivíduo asmático. O asmático deve:

o    Evitar os factores desencadeantes

o    Seguir as instruções do médico no que diz respeito ao tratamento farmacológico e compreender a distinção entre o tratamento preventivo a longo prazo e o alívio imediato das crises[4]

o    Monitorizar a evolução da sua doença

o    Procurar ajuda médica quando a crise é mais grave que o habitual ou não cessa com os factores de alívio recomendados

O tratamento farmacológico compreende 2 formas complementares:

o       Alívio imediato das crises

  • Agonistas b2 de acção curta (ex: salbutamol, fenoterol, terbutalina, procaterol)

  • Anti-colinérgicos (ex: brometo de ipatrópio)

  • Teofilinas de acção rápida (ex: aminofilina)

  • Adrenalina injectável[5]

o       Tratamento preventivo a longo prazo

  • Agonistas b2 de acção lenta (ex: formoterol, salmeterol – inalados; salbutamol, terbutalina – comprimidos)

  • Corticoesteróides (ex: beclometasona, budenosido, fluticasona – inalados; metilprednisonona, prednisona, prednisolona – comprimidos)

  • Teofilinas de libertação controlada (ex: aminofilina, metilxantina, xantinas)

  • Cromonas (ex: cromoglicato de sódio, nedocromil)

  • Anti-histamínicos

  • Anti-leucotrienos (ex: montelukast, zafirlukast)

Bibliografia: 
Braunwald et al: Harrisson’s Principles of Internal Medicine. 15ª edição. McGraw-Hill.

Direcção-geral da saúde, Comissão de coordenação do programa da asma: Manual de boas práticas na asma. 2001. 

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[1] A laringe pertence às vias que conduzem o ar desde o nariz ou da boca até aos pulmões. Resumidamente o ar passa da boca ou do nariz para a faringe, que é um espaço em comum das vias respiratória e digestiva, e desta para a laringe, onde existem as cordas vocais cuja vibração permite a formação de sons. A partir da laringe o ar passa para a traqueia e desta para os brônquios, que se dividem então em brônquíolos e estes depois de também se ramificar transportam o ar para os alvéolos pulmonares, onde finalmente o O2 passa para o sangue e o CO2 para o ar que será expirado. Toda a via de condução do ar que inclui a traqueia e os brônquios e suas ramificações contitui a árvore traqueobrônquica.

[2] Dificuldade respiratória subjectiva (chama-se vulgarmente de “falta de ar”).

[3] Emissão de sons semelhantes a miar de um gato ou piar de um pinto (os doentes costumam dizer que ouvem “gatinhos no peito”).

[4] Ver mais à frente.

[5] O primeiro grupo de fármacos constitui o tratamento de 1ª linha nas crises de asma. Os restantes apenas se utilizam se os primeiros não forem eficazes em situações de asma mais grave.

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